Elevadores e pessoas
Muitas vezes ao entrar ou sair do trabalho, ir a médicos e tantos lugares nessa selva de pedra, me pergunto porque aquela sensação estranha de ter que falar alguma coisa surge quando estamos em um elevador.
Um silêncio mortal, os andares que custam a passar, e aquelas pessoas que nunca vimos.
Olhamos para o teto, para as paredes, talvez alguns até se sintam em uma camisa de força, então vem a pergunta: e se o elevador estragasse?
Já vem à mente os paletós sendo retirados para aliviar o calor humano, os mais velhos arranjando um canto para se sentar e, por fim, o primeiro contato verbal.
É desconcertante conversar em um espaço minúsculo, sob uma mistura de tensão e tentativa de manter a compostura, já que ninguém gostaria de mostrar seu lado histérico em público.
Os olhares às vezes se cruzam, e certamente os detalhes mais imperceptíveis nas viagens diárias de elevador agora são notados, como a pintinha na nuca da moça do quinto andar.
Então o alívio vem na forma de sons de batidas e murmuros no andar de cima, enfim os técnicos vieram salvar os trabalhadores, até que a porta se abre e o conforto do individualismo se restabelece na mente de cada um.
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