sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O dia em que eu resolvi seguir em frente

Foi numa dessas manhãs insonsas, em que a umidade de um recente temporal pairava sobre a cidade.

Depois de tanto peregrinar por ruas, avenidas e vielas, buscando um lugarzinho de destaque na pirâmide econômica moderna, aterrissei como uma paraquedista num campo de verdades: o lugarzinho não é para pessoas ordinárias.
Confesso que foi um golpe demasiado dolorido abrir os olhos para isso, além de constatar que vivo no polo comum dos habitantes terráqueos.

Então eu me vi em um beco sem saída, ou melhor, sem a saída padrão, e pra escapar ou eu voltava para a minha vil existência, ou eu escalava os muros do beco e seguia em frente.
Pular os muros do beco exigia ousadia, grandes ideias e novas concepções, e como consequência me traria um nova vida.

Após uma breve introspecção, soube que o melhor a se fazer era vencer o obstáculo.
Ainda não estou do outro lado do muro, mas já estou pegando o impulso para chegar lá.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A pílula da distorção

Posso ir a um psiquiatra para quem contarei todos os meus problemas, como se estivesse me referindo a uma entidade divina que vai mudar tudo.
Transformar erros em acertos.
Gritos em sussurros.
Lágrimas em sorrisos.
Mas na verdade tudo o que terei é uma pílula, que mudará a química do meu cérebro, fazendo eu ver erros como acertos.
Entender gritos como sussurros.
Conter minhas lágrimas e engolir seco.
E tudo continuará da mesma forma.


sexta-feira, 23 de maio de 2014

Triângulo

Eu a vejo com as mãos em prece
Em vestimentas de oriente
De fora apenas o ventre
Me olha com olhos pintados, boca em cor de sangue


Percebo que ele também está aqui
Me ampara, como querendo perdão
Não por ela, mas pela situação


Sugere uma tríade de todos
Deitamo-nos em suave terreno
Até a manhã seguinte
Em minhas costas sinto dela o veneno.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ainda lembro

Não vou dizer que não sinto saudade.
Há uma coisa aqui dentro que aflora quando lembro de você e de todos os momentos bons que pude ter ao teu lado.
Quero dedicar esse texto a somente os bons momentos, os quais não me fariam pensar se não tivessem me cativado e marcado o bastante.
É o Django Livre ao fundo na tela de cinema, enquanto aqui existem só os olhares compenetrados um no outro, viajando em um espaço-tempo desconhecido, que só nós sabemos.
É a sessão filme caseiro na cama king size, com a pipoca estourando no microondas e o edredom nos aquecendo.
É o passeio de mãos dadas no parque, junto com a pequena partida de basquete.
É o chinelo que você comprou especialmente pra mim e deixou na sua casa, o qual só pude usar uma vez, pois no mesmo dia de estreia eu estava saindo da sua vida definitivamente.
Lembrando que isso foi especial somente para mim, pois baseando-se no que você dizia, deveria ser especial pra você também.


In the best moments, wish you here...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Sessão terapêutica

Estou me afundando, afundando, afundando...é o que penso toda vez que sento nessa cadeira pra entrar nesse mundo aqui, chamado internet, que sei lá se me fez bem ou se me fez mal.
Está tudo a um clique, eu posso fazer o que quero, ser o que quero, passar dias e dias olhando para o passado e lamentando, e nessa parte sei que me fiz entender o que é pra ser dito.
Os lamentos...queridos lamentos! Vocês vêm assim tão depressa, me tomam e me deixam cair no chão, entre lamúrias, entre "por que eu ainda não te tenho aqui?", "eu merecia mais do que essa mendicância de sentimentos em que me encontro agora e pela qual vejo tantos outros passarem longe".
É isso, tudo tão atormentado, porque não há perspectiva estando nessa cadeira desconfortável, mas ela me prende por horas aqui, eu não saio da minha inutilidade para o desbravamento intelectual e criativo porque ela simplesmente me prende.
Meus pensamentos transgressores mal saem da minha cabeça e já voltam lá para o fundo, porque algo não me deixa, ou me diz que isso não é possível, e eu me atenho a esse cômodo de alguns metros quadrados pra visualizar mentalmente o que já foi, o que já era, o que não voltará a ser.
Meus antebraços estão marcados de debruçá-los por tanto tempo em cima dessa mesa de jantar, que é onde fica meu passaporte pra esse mundo virtual e a entrada gratuita para o museu.
Sim, às vezes eu penso que estou ficando louca, porque até mesmo me sinto como um daqueles espíritos que se alimentam da felicidade alheia, ou sei lá por qual motivo concreto eu estaria enlouquecendo se não por motivos da minha cabeça, por exemplo esse de me alimentar do passado.
Eu até olho para a frente mas me sinto insegura, procuro em outras pessoas aquilo que tive, um sorriso perfeito, a altura equivalente a uns dois palmos a mais do que eu, a força adequada pra me manter segura e apaixonada diante de qualquer situação.
Não é possível, isso é como eu selecionar candidatos avaliando seus currículos, classificando-os como aptos ou inaptos. Aptos ou inaptos para mim? Para somente meu corpo? Não sei.
Agora é início da madrugada e eu me sinto melhor por transformar em palavras tudo o que precisava ser despejado da minha mente.

sábado, 9 de novembro de 2013

A tênue linha entre o hoje e o amanhã

Estou presa em uma masmorra, incógnitas surgem cada vez mais difíceis de se desvendar.

Sei que o mundo gira, as pessoas passam, o vento leva tudo embora.

Sou apenas mais uma neste sentimento de pesar.


Ao olhar para o horizonte sei que lá já é o futuro, mas eu ainda estou aqui no presente, sabendo que logo mais ele será passado.

É um paradoxo, tantas coisas me instigam, mas nada mais que a força do destino.

Estou sofrendo hoje, mas olhando para o horizonte me vejo bem, sem lágrimas, sem dor.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O fardo de quem quer ser perfeito

Hoje eu estou me sentindo irritada.
Me irritei porque a pessoa que deveria estar sempre ao meu lado faz questão de me empurrar pra longe quando se diz com problemas.
Ok, ele deve pensar "já tenho os meus problemas, não preciso de mais um". No caso esse "um" seria eu querendo se aproximar pra tentar ajudar, mas isso é só o que acho, não quer dizer que seja a verdade, não é mesmo?
Me irritei porque alguma coisa adentrou na minha mente e me fez ter uma paciência de Jó, coisa que nem quando eu tomava remédios pra controlar a raiva eu tinha, e isso sim me irrita, porque não consigo mais demonstrar por fora o que sinto por dentro.
Olha, eu até pareço bem assim desse jeito, e no fundo até é, mas é tanta coisa ao mesmo tempo que me pergunto como, além de tudo isso que passo, consigo aturar alguém que pensa que a vida "é fudida" e que é o fim do mundo por causa de problemas.
Eu não compreendo esse drama toda, a vida é uma só, então chega disso.
Certamente essa pessoa não abriu os olhos pra ver quem sou eu de verdade, que ninguém jamais estaria ali sempre que for preciso, apesar dos pesares, assim como eu estou.
Vejo mais e mais pessoas querendo encontrar alguém que seja compreensivo, mas quando encontram até dizem que o tal alguém age assim por falta de amor próprio, porque tem medo de ficar sozinho.
Poxa, isso é pra chamar a atenção? É pra ficar por cima ou coisa do tipo?
Se eu descrevesse todas as coisas que compreendi até hoje e tive calma pra enfrentar, eu deveria ter uma auréola de luz acima da minha cabeça, porque definitivamente eu sou anjo bondoso e compreensivo.
Eu não estou nesse mundo para brigar, ou para dar uma de vítima, ser ciumenta, arranjar discussão ou fazer de tudo para que o outro venha atrás de mim querendo se redimir de algo que não existe.
Eu apenas procuro o amor genuíno, sem cobranças, sem conflitos.
Será que é tão difícil manter algo que está bom do mesmo jeito, ou é inerente a um relacionamento existir conflitos por crise de existência e estresse na vida particular?
Acho que vida amorosa e profissional não tem nada a ver, ambas jamais devem ficar lado a lado, muito menos interferir uma na outra, pois é aí que surgem os problemas que destroem qualquer relação.
Não haverá amor, paixão, amizade, empatia ou qualquer sentimento que resista a isso.