terça-feira, 15 de maio de 2012

O que a noite reserva...


Fui à festa pra dançar e me divertir. Fazia um bom tempo que meu corpo não se deslocava a qualquer outro lugar que não fosse à faculdade e minha casa, mas dessa vez era diferente e estava saindo rumo à diversão.
A fila estava meio grande, não vi nenhum conhecido, mas decidi esperar por alguém. Esperei demais e adentrei no recinto, e não estava tão cheio como pensei. Bem, não queria eu que aquele lugar estivesse cheio sendo que eram apenas onze e meia da noite. Subi as escadas e dancei nem sei que música, só lembro que era dos anos oitenta. Fui ao bar e peguei um refrigerante, já que meu gosto é bem seletivo e não tolera álcool. Voltei a dançar e não demorou muito pra que algum rapaz viesse se engraçar pro meu lado.
- Qual é teu nome?
- Fernanda.
- “Tá” sozinha?
- Não, estou com amigos.
E logo eu voltava a dançar fechando os olhos e sorrindo, dando a entender que ele não me agradou. Posso dizer que essa cena se repetiu mais umas oito ou nove vezes. Tudo bem que vão dizer que sou esnobe, mas se eu fosse ficar com alguém naquela festa, seria um homem bonito e atraente, e ninguém assim veio falar comigo. Ora, eu também tenho minhas exigências, assim como os homens.
- Mas aí você vai estar abrindo mão de conhecer alguém que possa ser legal. – Disse outro rapaz que quis ser meu psicólogo.
- Eu não vim aqui conhecer meu namorado.
Voltei a dançar e quando resolvi dar uma descansada, esse mesmo rapaz veio com um amigo, que perguntou se eu lembrava dele.
- Não lembro.
- Como não? Eu também cheguei em você.
Percebi que aquilo poderia ser mentira, mas a situação não estava boa. Os dois ficaram me encarando, como se me condenassem por dar foras em tantos caras. Sim, eles se prestaram a contar quantos caras vieram falar comigo, e depois foram me encarar.
Saí de perto e fui para o outro ambiente da festa ouvir um pouco de rock. Sentei-me num canto e comecei a pensar no que eu tinha feito até ali, que eu não era superior a ninguém para dar tantos foras, mas eu não tinha culpa por não ir à festa com o objetivo de ficar com alguém.
Outros problemas invadiram minha cabeça e foi inevitável não me abalar e simplesmente abaixar a cabeça com as mãos no rosto e chorar. Até parecia que eu estava de porre. Não demorou pra que outro rapaz sentasse ao meu lado e visse minha situação. Fez-me diversas perguntas e ficou ali, esperando eu me recompor. Veio até mesmo uma moça sentar do meu lado e perguntar se eu tinha bebido.
- Eu não bebo.
- Você está se sentindo bem?
- Sim, logo passa.
Num gesto de ajuda tirou os cabelos do meu rosto e puxou para trás, como se tentasse fazer um rabo de cavalo. Nessa altura deixei que qualquer estranho cuidasse de mim, estava entregue à noite e às suas armadilhas emocionais. Recompus-me e fui ao banheiro olhar meu rosto de criança chorosa, e vi que estava sendo uma besta.
Voltei para a outra pista, tentei dançar, mas nada se ajeitou.  Não me deixavam dançar (“ai, mas como ela é bonitona e ninguém resiste”).
Já era umas quatro e pouca da manhã, logo eu já iria embora, então desci e fiquei escorada num balcão, esperando meu amigo pra irmos embora. Quando vejo surge um rapaz ao meu lado, e logo pensei ser mais um daqueles chatos que só querem “pegar” e ir embora.
Porém o papo dele foi diferente, dizendo que notou que eu estava desanimada e queria saber por quê. Expliquei a situação e ele perguntou se eu aceitava uma companhia pra conversar numa boa, já que tinha que fazer hora pra ir trabalhar. Aceitei e começamos a conversar sobre diversas coisas, até mesmo sobre profissão. Olhei no relógio e já estava quase na hora de eu ir embora, comentei e nesse instante começou a tocar Michael Jackson. O simpático rapaz me convidou pra dançar, e eu pensei “que se dane o horário, vou me divertir mais um pouco”. Subimos as escadas e dançamos que nem loucos, cantando um pro outro, como se nos conhecêssemos há tempos. Dançamos mais algumas músicas e disse a ele que dessa vez eu teria mesmo que ir.
Aprendi que, apesar de tudo, bem no finalzinho ainda pode ter algo interessante, e muito.

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